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China compara jogos a ‘ópio espiritual’ e derruba ações da Tencent

Governo da China tem fechado o cerco contra influência dos games na rotina de jovens e crianças no país

Embora a China seja um dos maiores e mais rentáveis mercados para jogos no mundo, a forma como o país está lidando com a jogatina dos jovens tem causado problemas às empresas do setor. Nesta semana, por exemplo, a comparação dos games com “ópio espiritual” resultou em queda acentuada nas ações de gigantes locais.

Tanto Tencent quanto NetEase viram o valor de seus papéis descerem cerca de 10% na bolsa de Hong Kong – um prejuízo considerável, para dizer o mínimo.

China não quer viciados em jogos

O tema foi discutido em um longo e espinhoso artigo do Economic Information Daily, um portal de notícias pertencente ao governo chinês e afiliado à agência de notícias Xinhua News. Como era de se esperar, o veículo se posicionou fortemente contra a crescente influência dos jogos no dia a dia dos jovens na China.

Para o jornal, o impacto dos games – principalmente os com um módulo online – nas crianças e adolescentes é predominantemente negativo, supostamente fazendo com que eles se viciem na jogatina e deixem outras atividades importantes de lado.

O Economic Information Daily usou Honor of Kings, um dos jogos mobile mais populares da Tencent, como exemplo disso, afirmando que estudantes estavam dedicando até 8 horas seguidas ao game e que a indústria deveria coibir ativamente esse tipo de comportamento.

“Nenhuma indústria e nenhum esporte pode ter a permissão de expandir de um modo que destrua toda uma geração”, disse o portal em seu artigo, chegando a chamar o avanço dos jogos de uma espécie de ópio espiritual – fazendo referência ao vício na droga pela população da China entre os séculos 18 e 20.

Apenas um alerta?

Eventualmente, as ações das empresas chinesas de games se estabilizaram, mas não antes que o portal de notícias deletasse o artigo publicado no WeChat e que as companhias se comprometessem a acatar ainda mais as diretrizes do governo local.

A Tencent, por exemplo, já estava aplicando medidas para reduzir o acesso de jovens e crianças a Honor of Kings, mas prometeu acentuar ainda mais esse trabalho e expandir a mesma política para o restante de seu catálogo de jogos.

Os games, no entanto, são apenas a ponta do iceberg de como o governo chinês quer voltar a controlar melhor setores como o de tecnologia, cinema, música e educação, que se expandiram globalmente e, em alguns casos, abriram IPO fora do país.

Resta saber como tudo isso vai afetar a operação dessas e outras gigantes de seus mercados dentro e fora da China.

Fonte: BBC News

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