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Luz azul: saiba como as telas dos eletrônicos impactam nossa vida

A emissão de luz azul de celulares, tablets e PCs tem impactado nosso sono e descanso, entenda o problema e saiba como se proteger

Seja para trabalho, estudo ou entretenimento, os aparelhos eletrônicos fazem parte da nossa rotina. Diariamente, ficamos horas na frente de telas de TV, computadores e, claro, celulares, que nos bombardeiam constantemente com a chamada luz azul de seus displays.

A discussão em torno do tema tem se intensificado ao longo dos últimos anos, a partir do momento que empresas e indivíduos começaram a se preocupar mais com possíveis efeitos nocivos dos eletrônicos em sua saúde – mental e física.

Um exemplo disso é que o Modo Escuro está presente de forma nativa em uma infinidade de programas, aplicativos e sistema operacionais, com o público puxando a orelha de companhias que não oferecem o recurso.

Outro modo, o Noturno, também tem ganhado popularidade, utilizando dados de iluminação do local e hora do dia para reduzir o brilho das telas e torná-las mais amareladas para reduzir a emissão de luz azul.

Dados importantes

Além disso, a própria intensificação no uso de eletrônicos tem apimentado o debate, ganhando uma importância ainda maior durante a pandemia, com mais pessoas trabalhando, estudando e se comunicando de forma remota – tudo pelas telas. O impacto disso tudo é global, mas o Brasil parece estar no olho do furacão.

Em 2019, o país era o 5º no mundo em uso de celular, com uma média de 3,8 horas diárias na frente do aparelho, segundo relatório da consultoria App Annie. Hoje, os brasileiros estão na 1ª posição, ultrapassando as 5,4 horas diárias em média.

Reprodução: Eddy Billard/Unsplash

Fora do mobile, o uso dos eletrônicos também aumentou. Um levantamento divulgado pela FGV em maio deste ano mostra que o Brasil deve bater a marca de 200 milhões de computadores ativos ainda este ano, e que podemos chegar a 1 PC por habitante dentro de 2 ou 3 anos.

Ou seja, estamos no momento certo para entender os efeitos da luz azul na vida de uma sociedade cada vez mais conectada, com possíveis impactos na visão, no sono e até no aprendizado das pessoas. Mas o que é real e o que é mito nessa história?

Luz azul: como funciona?

De forma técnica, a luz azul não é nada mais do que um intervalo específico do espectro de luz visível, abrangendo o comprimento de onda situado entre 400 e 450 nm. Em sua forma natural, vinda da emissão da luz solar, ela melhora a disposição, o humor e o estado de alerta das pessoas ao longo do dia.

O problema é que sua emissão tem chegado a níveis altíssimos com as telas dos eletrônicos, que utilizam parte da frequência para produzir a luz aparentemente branca que vemos em celulares, televisores, tablets, monitores e outros equipamentos. Por ser uma incidência artificial, ela também acontece fora dos horários “programados” para o ser humano.

“Não se trata de um mito”, afirma Arthur Igreja, especialista em Tecnologia e Inovação e speaker do TEDx, ao falar sobre efeitos nocivos da luz azul. “São frequências que causam cansaço e o corpo humano não está acostumado a ver esse espectro a não ser durante a luz do dia. Então, as telas têm uma intensidade incrível de emissão e isso causa uma confusão no cérebro”.

Para Leonardo de Assis, PhD e Pesquisador Associado na Universidade de Lubeck, a forma como os LEDs utilizados em boa parte das telas produzem luz é justamente o que acaba impactando sistemas importantes do organismo, responsáveis por ajustar principalmente o nosso relógio biológico e descanso.

Leonardo de Assis (Divulgação)

“Os LEDs brancos emitem a luz no comprimento do azul e, mediante a interação com um outro componente metálico dos LEDs, a luz amarela é refletida. Embora essa tecnologia seja muito econômica em termos de uso de energia, possui um efeito danoso. Em particular, o ajuste do nosso relógio biológico, que é mediado por um conjunto de proteínas que detectam o azul”, explica Assis.

Impactos

De acordo com os entrevistados, o impacto mais direto disso é no sono e em outras capacidades cognitivas. “Especialmente pela exposição que temos e pela quantidade de horas que passamos em frente das telas”, comenta Igreja. “É como se estivéssemos em um lugar com luz que não cessa e que se intensifica. Isso causa alterações no sono, a pessoa fica mais cansada e, consequentemente, menor é sua capacidade de aprendizado”.

“A ativação por luz azul ou branca das células da retina leva a supressão da síntese do hormônio melatonina, conhecido como o hormônio da escuridão. Esse, por sua vez, sinaliza para o organismo que é noite, que para humanos significa descanso. Podendo gerar vários efeitos colaterais como cansaço, insônia e outros”.

Reprodução: Gio Bartlett/Unsplash

O especialista em ortodontia e odontologia do sono, Alexandre Annibale concorda, explicando que a própria qualidade do sono pode ser comprometida com o uso de dispositivos eletrônicos antes de dormir. “A luz azul emitida por celulares, tablets e TVs é ainda mais prejudicial na inibição da síntese desse hormônio. Por mais que se consiga dormir em seguida, o sono será mais superficial”, afirma.

Adicionalmente, os especialistas reforçam que os efeitos nocivos vão muito além disso, com a supressão acentuada da melatonina estando relacionada ao aumento da incidência de doenças metabólicas e até mesmo o câncer. “Quando o ritmo circadiano está desregulado, alterações metabólicas, cardiovasculares, endócrinas, neurológicas e psiquiátricas podem ocorrer, aumentando a chance do surgimento de várias doenças”, diz Annibale.

Equilíbrio é tudo

Com tudo isso, será que é possível extrair algum benefício da emissão artificial da luz azul? Aparentemente, não muitos. Em quantidades moderadas e no momento correto, por exemplo, a exposição à luz pode estimular a capacidade de aprendizado ao aumentar o tempo em que o indivíduo fica em atividade.

Segundo Leonardo de Assis, pacientes com depressão também podem se beneficiar da emissão durante o dia, mas devem dar preferência à luz natural. Ele lembra de algo importante: mesmo com efeitos negativos, não temos como eliminar completamente a luz azul de nossas vidas. “A palavra que sempre falo é equilíbrio, pois não podemos ficar sem a luz azul, tão presente em nosso dia a dia”, analisa.

Igreja ecoa o pensamento de Assis, dizendo que a moderação consiste em tentar manter o número de horas de exposição dentro de um limite adequado. O especialista em Tecnologia e Inovação reconhece que durante a pandemia isso se tornou quase impossível, mas que o ideal é mesmo não ter contato com a tela na hora de se deitar.

Arthur Igreja (Divulgação)

“Tem que se respeitar o ciclo circadiano. O sono começa a ser preparado assim que acordamos. O organismo precisa entender que durante o dia se tem luz e durante a noite não. Então o ideal é mesmo evitar o uso [de eletrônicos] algum tempo antes de dormir”, reforça Annibale.

Como lidar

Se não for possível reduzir o uso dos eletrônicos durante a noite, alguns dos especialistas recomendam o uso da própria tecnologia para lidar com o problema, incluindo recursos como o Night Shift, da Apple, ou acessórios dedicados a proteger seus olhos.

“Os dispositivos atualmente oferecem uma ferramenta conhecida como filtro azul. Ela permite reduzir a emissão do comprimento azul dos LEDs, tornando a tela mais amarelada. Alguns aparelhos também permitem a ativação automática do filtro, o que é muito prático”, lembra Assis.

“É possível que a pessoa faça um teste habilitando o filtro de luz azul no seu smartphone ou usando óculos que bloqueiam esse tipo de frequência. Se for um fator importante para ela, naturalmente a pessoa vai notar o antes e o depois. De qualquer maneira, é fundamental encontrar alternativas e ter um consumo saudável dos eletrônicos”, finaliza Igreja.

Night Shift faz parte do ecossistema Apple desde o iOS 9 (Reprodução: Blog do iPhone)

E você, como tem sentido o impacto das telas na sua vida? Costuma utilizar recursos ou óculos que filtram a luz azul? Deixe seu relato mais abaixo na seção de comentários.

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